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"pneuzinhos"

domingo, 28 de agosto de 2011


pneu pneu sm 1 Forma abreviada de pneumático, no sentido das coberturas de borracha com que calçam as rodas dos automóveis e outras viaturas. (...). – ou: aquelas gordurinhas em locais não tão agradáveis.

         Ditadura das passarelas, alface, passar longe dos chocolates, não comer depois das 18hs, manequim 38, perder a barriga de chopp, (...), “E perca peso agora | Perca peso agora¹!!!
         Fernando Botero². Pintor e escultor colombiano dizia não pintar pessoas gordas, trabalhava em paralelo ao desenvolvimento da pop art, de sua crítica e influências, mas ao mesmo tempo tinha seu perfil crítico e com sua estética baseada em memórias, referências e interesses não necessariamente ligados à moda desenvolveu um trabalho bastante característico.
         Depois de passar pela fotografia e pela literatura nos posts anteriores, volto à pintura com as obras dele para admirarmos juntos e para ilustrar a música escolhida de hoje que é Perca Peso, do Idem.
Dá uma olhada³:




Agora, dê play em Perca Peso e vá fazer aquela panela de brigadeiro ou alguma outra coisa que lhe dê prazer gastronômico sem peso na consciência!





Clique aqui e ouça!




Até o próximo post!
Renata Luna (@dlfmrenata)


¹ Trecho da letra de Perca Peso, de Leonardo Bursztyn e André Gonzales - Móveis Coloniais de Acaju, 2004. | ² http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Botero | ³ Imagens: Fernando Botero | fontes: http://michaelis.uol.com.br.



"tradição"

segunda-feira, 20 de junho de 2011
_mobiliarte
por Renata Luna



tradição tra.di.ção sf (lat traditione) (...) 2 Comunicação ou transmissão (...)  ritos, costumes, feita de pais para filhos no decorrer dos tempos ao sucederem-se as gerações. 3 (...) 4 Doutrinas, costumes etc., conservados num povo por transmissão de pais para filhos. 5 Conjunto de usos, ideias e valores morais transmitidos de geração em geração. (...).


Hoje vamos falar de Ervilha! Como falar de ervilha sem concorrer com os saborosos posts do Esdras e suas receitas que nos deixam morrendo de fome na primeira lida?

         Claro que vou passar longe da culinária porque uma pessoa como eu que consegue queimar até miojo não deve se atrever a dar diretrizes gastronômicas para ninguém!


“Faz ervilha
Faz, faz família
Faz, faz ervilha
Pra toda família”¹
        

Unindo a ervilha, o verbete e a letra de hoje chegamos à tríade “ervilha-tradição-família” e chegamos à literatura, mais especificamente a um dos primeiros contos do dinamarquês Hans Christian Andersen²: A Princesa e a Ervilha, 1835.

  “O príncipe queria se casar, mas só que para tal deveria encontrar uma verdadeira princesa, de sangue azul.

    Depois de uma longa viagem de busca à sua princesa e muita frustração, já de volta ao seu castelo, durante uma noite de forte tempestade alguém bateu à porta e o rei foi pessoalmente atende-la.

   À porta uma moça toda desarrumada, molhada cabelos escorridos e sapatos desmanchando, porém, apesar do aspecto nada real a moça se dizia uma princesa.

    A rainha, longe de querer ser passada para trás resolveu tirar a prova e ordenou que seus criados preparassem a cama, porém, com 20 colchões e sob eles uma ervilha. Seria um teste para a moça que passaria a noite no castelo.

     Na manhã seguinte perguntaram como a moça havia passado a noite e ela disse ter tido uma noite péssima, pois algo a incomodara por todo o tempo e até havia lhe deixado manchas roxas pelo corpo.”

         Foi a prova que a família real precisava para garantir que o príncipe havia encontrado sua princesa, já que, somente a tão sensível pele de uma real princesa seria capaz de sentir o incômodo de um único grão de ervilha sob tantas camadas de colchão.

         Dê play em Ervilha e vá fazer uma sopinha, ou quem sabe ler.. Ou talvez, coloque Ervilha no seu mp3 e saia à procura da sua princesa ou do seu príncipe encantado! Leve um grão de ervilha no bolso, quem sabe essa atmosfera real não dá uma mãozinha..






Clique aqui e ouça "Ervilha"


Até o próximo post!


¹ Trecho da letra de Ervilha, de André Gonzales - Móveis Coloniais de Acaju, 2001. | ² http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Christian_Andersen | ³ http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Princesa_e_a_Ervilha  | Imagem: A princesa e a ervilha, da série Bibbdi Bobbdi Boo, de Bruno Vilela | fontes: http://michaelis.uol.com.br.





“inter-relacionar”

quarta-feira, 4 de maio de 2011
_mobiliarte
por Renata Luna



inter-relacionar in.ter-re.la.cio.nar (inter+relacionar) vtd  1 Pôr em relação mútua; relacionar duas ou mais coisas entre si. vint e vpr 2 (...).

Cá estamos, no segundo post da coluna mobiliarte e vale dizer que o assunto a ser discorrido aqui surgiu depois de eu ter passado o último feriado em Brasília. Até então eu não conhecia a capital federal – o que sempre achei uma vergonha por conhecer outras capitais do mundo e nunca ter ido à do meu país – e posso dizer que me encantei.

Estar lá deu muito sentido, por exemplo, às fotos que o Paulo tuita com o “céu de Brasília” ainda mais pra mim que sou de/moro em São Paulo e, a partir daí, do céu, do estar em um lugar por menos de 24hs e estar tão confortável que a noção de tempo se perde e da noção de espaço/tamanho é que eu começo meu texto.

A plataforma de expressão artístico-cultural de hoje será a fotografia e talvez por isso poderiam pensar que a faixa escolhida seria “Falso Retrato”¹, mas na verdade os trechos que ilustrarei são:

O tempo engatinhar | Do jeito que eu sempre quis | Se não for devagar | Que ao menos seja eterno assim | (...) | O tempo engatinhar | Do jeito que eu sempre quis | Distante é devagar | Perto passa bem depressa assim²

Há um – também – teórico da fotografia³ que em um de seus textos fala da relação do tempo e suas representações na fotografia que, geralmente, é associada somente ao espaço, que de fato é uma reação mais imediatista olhar uma fotografia e falar que foi tirada em “tal” lugar. Mas e o tempo? Só dizer que ela foi tirada em algum momento específico do passado não é o bastante. É esta inter-relação entre o espaço e o tempo nas fotografias que vou tentar mostrar aqui para vocês.
         
          Deixando de lado as nomenclaturas “formais”, e de forma simplificada, começo falando daquelas fotografias que muitas vezes falamos que saíram ruins porque olhamos e vemos um borrão. Na verdade, esse borrão é o tempo inscrito na imagem. Sabe aquelas fotos que você tira e sai o rastro das pessoas ou de um objeto? Então, é destas fotografias que estamos falando, nas quais temos a pessoa/o objeto sendo registrada(o) em diferentes espaços e em tempos diferentes. Ou seja, não, estas fotos não estão erradas nem saíram “ruins”, elas podem até dizer muito mais do que uma foto congelada e nítida:






Talvez fique mais fácil de entender quando você olha suas fotos do último show do Móveis e bem naquela foto que você tirou do Xande dando um baita pulo ele saiu borrado, quando na verdade você queria que ele ficasse congelado no ar! Mas olha novamente que talvez você possa ver o caminho que a perna dele percorreu ou movimento do cabelo e isso pode ser até mais interessante do que ter o Xande paradinho longe do chão.


          Congelar não é fácil mesmo, ainda mais nos ambientes escuros dos shows. Nas fotos em que conseguimos, temos o que chamamos de foto instantânea e que só foi conquistada no final do séc XIX. Nelas, apesar de o tempo ter sido retirado da imagem pela instantaneidade a própria ausência faz com que você faça referência a ele inter-relacionando novamente ao espaço na composição fotográfica.

          É o tipo de foto divertida que muito provavelmente você que está lendo já tirou com seus amigos, ou em alguma viagem diante de um monumento famoso ou, quem sabe, do seu gato enquanto seu primo o jogava para o ar no meio da sala da sua vó!
         
Mas, quase certeza mesmo, é que você tenha aí uma foto em que o André aparece em um movimento corporal quase indecifrável que você não sabe como começou nem como termina, mas sabe que ele estava executando suas danças malucas. E aí que esta a mágica deste segundo “grupo de fotografias”, as que conseguem registrar de forma instantânea uma expressão natural sendo que antes, para não haver borrão as pessoas tinham que ficar completamente paradas, posando e por bastante tempo.

          Olhar uma fotografia, ao contrário de ver uma cena de um filme ou de um programa de tv onde coisas acontecem em uma sequência que foge ao controle do espectador, nos permite dedicar o tempo que quisermos para analisar, apreciar, absorver, tentar entender a relação espaço x tempo que se tem à frente e tudo isso pode ser muito bacana.

“Que ao menos seja eterno assim”, talvez essa era sua intensão no momento do clique. Pegue algumas fotografias que estão guardadas há muito tempo e que você nem lembrava direito que as tinha tirado, daquelas que você tem em papel mesmo, espalhe no chão, dê play em “O Tempo” e se perca nesta relação espaço x tempo.







 Até o próximo post!
@dlfmrenata

¹ Móveis Coloniais de Acaju, 2009. | ² Trecho da letra de O Tempo, Móveis Coloniais de Acaju, 2009. | ³ Mais sobre Ronaldo Entler e seus textos em: http://www.entler.com.br. | Imagens (por ordem de apresentação no post): William Kleim. Metro, Tokio, 1961; Jacques-Henri Lartigue. Grande Prêmio do Automóvel Clube da França, 1912; Philippe Halsman. Halsman e Marilyn Monroe (Jump Book), 1959; | fontes: http://michaelis.uol.com.br | http://www.studium.iar.unicamp.br/18/03.html – texto O corte fotográfico e a representação do tempo pela imagem fixa, 2007. 



Devaneios

domingo, 27 de março de 2011
_mobiliarte  
por Renata Luna
 
devaneio de.va.nei.o sm (de devanear) 1 Ato de devanear. 2 Imaginação, fantasia, sonho. 3 desvanecimento. Var: devaneação, desvaneio.
   
Bem-vindos à coluna mobiliarte que tem como objetivo alguns devaneios que envolvam a mobília e a arte. Aqui, as músicas, os integrantes, os fãs/cupins e a pintura, fotografia, cinema, desenhos, literatura e diversas formas de expressão artística vão ter espaço para, de alguma forma, encontrar algo em comum, mesmo que só nas nossas mentes! E como ponto de partida para todos os textos, um verbete!

Escolhi “devaneio” como palavra do primeiro post e numa passadinha no site da mobília para me inspirar, me deparei com o nome completo da música Copacabana – aos que não lembram é Copacabana: Devaneios de um cubano cubista –. Não poderia haver começo melhor, pura sintonia, porque com um “q” de devaneio é sobre um cubista mesmo que eu vou falar hoje, mas o ponto de partida não vai ser a letra de Copacabana e sim, a de Café com Leite. 

“ (…) que até o cubista mais cubano sambaria para se distrair …”¹

Percorrendo alguns caminhos tortuosos, alguns lapsos conceituais e fugindo da real origem do estilo cubista, pulo um período histórico da arte e vou direto ao Pablo Picasso.
O trecho citado anteriormente da letra de Café com Leite me fez ir atrás de alguma obra de arte que pudesse ilustrá-lo, bem como ao post e acho que encontrei!

Hoje no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, a obra é de 1921 e, com mais de 2 metros de altura e largura, faz parte de uma das fases do movimento cubista, chamada de cubismo sintético.E o que mais além do cubismo essa obra tem a ver com o trecho da letra? Entendo a pergunta por não terem visto a obra ainda, mas o meu objetivo era encontrar alguma ligação, de fato, do cubismo com o samba.

Não sei se delirei, mas em minha opinião a pintura Três Músicos (Three Musicians), muito se parece com uma cena de boteco onde alguns amigos se reúnem em volta da mesa e seja com instrumentos ou caixinha de fósforo e latinhas de cerveja começam um belo samba para se distrair.
Abra sua playlist, dê play em Café com Leite e viaje na arte cubista!




¹ Trecho da letra de Café com Leite, Móveis Coloniais de Acaju, 2009. | Imagem: Three Musicians, Pablo Picasso, 1921. | fontes: http://www.pablopicasso.org/threemusicians.jsp| http://en.wikipedia.org/wiki/Cubism | http://smarthistory.org/




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