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Desconstruindo – Cego (Registro de Uma Inspiração Alheia)

segunda-feira, 6 de junho de 2011
por Leandro Luz




Clique aqui e ouça Cego!



Mesmo que você conheça ‘Móveis’ há pouco tempo e não tenha ainda tanta intimidade com os discos e as músicas, só a introdução de ‘Cego’ já denuncia que a música faz parte do ‘Idem’. Música e letra nunca tiveram tão unidas. E por falar em letra... Que obra-prima, viu?!
‘Cego’ é daquelas que você começa a escutar e quando menos espera, acaba. Daí o único jeito é colocar no repeat e não se preocupar mais com isso!
Não sei o que o Roberto Mejía estava pensando ao compor esta canção, só sei que a meu ver a música não consiste apenas em fazer os fãs dançarem e pularem nos shows...
Os dois questionamentos do “cego”, personagem da música, são extremamente intrigantes!
 
"Será mesmo, realmente / Amarelo o sol, e azul o céu / Por que não ser lilás, vermelho / Ou quem sabe seja apenas som?"

Ou quem sabe seja apenas som?
Quem sabe todos os nossos sentidos estejam deturpados por sei lá o quê... sociedade, senso comum, nossas próprias acomodações e convicções, nossos pré-conceitos...
Quem está certo? Quem está errado? Alguém aqui enxerga demais? Ou de menos?
Por que não ser apenas som?

 "Quem é que não enxerga aqui / Será eu ou você que não percebe?"

Estaríamos nós embriagados de tanto pseudo-conhecimento que não percebemos na realidade que somos nós os verdadeiros “cegos” desse mundo?

‘Cego’ faz parte daquele conjunto de canções que nos fazem questionar a nós mesmos, ou até mesmo o nosso próprio sentido de existência.

E já que o próprio nome da música diz: “Registro de Uma Inspiração Alheia”, espero que muitos desses registros surjam de mais outras mil inspirações. Os fãs ficariam eternamente agradecidos!




Desconstruindo – Adeus

quarta-feira, 23 de março de 2011
por Leandro Luz





Despedida? Tristeza? Angústia? Melancolia? Choro? Só se for de felicidade!

Desde a primeira vez que escutei, 'Adeus' me deixou espantado e extremamente emocionado. A música simplesmente começa com uma guitarra fazendo uma introdução nunca antes vista numa música do Móveis, junto de um sax barítono com um timbre irreconhecível para mim – o que mais tarde nos shows acabei descobrindo ser o efeito de uma mão dentro do sax. Já comecei indagando a mim mesmo se o 'c_mpl_te' seria um disco com sonoridade totalmente diferente do que eu já tinha escutado antes feito pelo Móveis. Continuei escutando e a voz do André logo entrou em cena. Fiquei extasiado!
Com uma letra relativamente curta e genial, os metais e as cordas vão se destacando entre uma estrofe e outra da música, até que a intensidade e a densidade aumentam tanto que, no final, só existe uma única conclusão: as lágrimas... de pura felicidade!

“Quando eu vivo esse encontro,/Eu digo adeus/Refaço os meus planos/Pra rimar com os seus”
“Abandono o que é pronto/E digo adeus/Eu trago os meus sonhos/Pra somar aos seus”

Essas duas estrofes acredito representarem a inata ambiguidade da música e do próprio ser humano. Ao mesmo tempo em que nos despedimos de algo, estamos automaticamente indo de encontro ao nosso próximo “destino”. A gente nunca para no mesmo lugar. E principalmente, estamos sempre caminhando, rimando e somando com o “destino” de alguém.
Logo fui descobrindo que ‘Adeus’ não era diferente do que eles já haviam feito. Mas é claro, não era nem um pouco igual. Apesar de o título sugerir uma óbvia despedida, acredito que tudo não passa de uma grande antítese. Sim, pois ao ouvir tal canção é impossível não exalar antíteses. Tanto na letra quanto na música, chorar e sorrir ao mesmo tempo estão sempre presentes nas minhas reações. Nostalgia e renovação são outros dois sentimentos que sempre me vêm à cabeça ao escutar: 'E toda vez que vier/Felicidade a mais/A cada vez que quiser'. É como se felicidade fosse imensurável e infinita. Isso traduz para mim exatamente o que é escutar um disco ou ir a um show do Móveis. Todos até agora foram surreais e me trouxeram uma felicidade do tamanho do mundo! Entretanto, é como se 'a cada vez que quiser e toda vez que vier' fossem gerar, se é que é possível - às vezes acabo duvidando -, uma felicidade ainda maior e mais intensa.
É ironicamente óbvio que eu acabei começando os trabalhamos nessa coluna com a música "Adeus". Irônico ou não, é uma forma de todos nós repensarmos no quanto as músicas do Móveis Coloniais de Acaju nos deixam atordoados com tamanha qualidade, expelindo uma quantidade absurda de sentimentos que são interpretados por cada um de nós de vários aspectos e proporções.
E para selar o objetivo da coluna, são com essas palavras que eu faço o convite para que todos os cupins possam acrescentar e opinar sobre cada verso, cada melodia, cada solo de guitarras e metais existentes nas belas e emocionantes músicas da nossa mobília predileta:

"Basta a gente dizer
Só uma vez
Uma só voz"




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